SUSANA BALBO LANÇA VINHO ROSÉ SIGNATURE 2016
Conhecida por passagens como Enóloga-Chefe da Catena Zapata no final dos anos 90 e atualmente referência na enologia moderna mundial, através da importadora Cantu, traz um interessante Rosé no melhor estilo Provence!
Por Aldo Assada
Há algum tempo acompanho o trabalho da Susana Balbo; inicialmente seus vinhos foram importados pela Grand Cru, isso por volta de 2004 (devo ter ainda este catálogo, que continha também o O.Fournier na sua lista) e nos dias atuais, ela é importada pela Cantu, onde cresce a boa distribuição pelo Brasil. Venho provando seus vinhos com certa regularidade e sempre tive boas percepções da bodega no geral: intensos, saborosos e técnicos; técnico sob o aspecto da sua procura pelo refinamento na fruta, complexidade aromática ao mesmo tempo com o palato onde o tanino de seus tintos nunca se sobrepõem-se embora presentes. A percepção de madeira, outrora marcava acima tempos atrás, é apresentado de maneira fina, principalmente em linha de alta gama.
Fiz essa breve introdução para demonstrar a evolução ao qual a Susana Balbo passa e que seus filhos tem assessorado juntamente nesta empreitada; talvez esse rosé seja uma prova de que, além do De Martino Gallardia de Itata Rosé de Cinsault (do igualmente gênio Marcelo Retamal), a América do Sul consiga produzir os mais delicados, frescos e porquê não, complexos rosés (com direito a pé na Provence) neste continente, antes subproduto de reaproveitamento de uvas que a maioria das vinícolas (principalmente as grandes, de alto volume produção) usam para não descartarem, o que geram rosés ligeiros, herbáceos e alguns até tânicos e sem acidez.

Com uma bonita apresentação da garrafa (que me lembrou na hora o formato das garrafas de Franciacorta, uma DOCG de espumante muito bons feitos na região da Lombardia, Itália), este vinho rosé é feito de corte de 60% Malbec e 40% Pinot Noir colhidas no Valle del Uco, região em bastante evidência entre os produtores, onde o solo aluvial traz frescor, mineralidade e complexidade para os vinhos. Já a vinificação é pelo método Saignée e possui pH cerca de 3.2, confirmados pela própria Susana Balbo, em video conferência direto de sua Bodega em Mendoza.
A cor, que muito lembra a extração dos rosés da Provence, é rosado salmão de média intensidade e brilhante. Aroma de média a alta intensidade, traz notas florais, uma fruta tropical que remeteu a papaya e uma sutil nota mineral. Corpo leve, bom frescor e sem álcool aparente; pudera, seu vinho possui 12% abv. (não me recordo de nenhum vinho que eu tenha provado da Argentina feito abaixo dos 13% abv.) Segundo Susana, esse menor teor alcoólico se deve ao seu trabalho na colheita: boa maturação do fruto mas menor concentração de açúcar juntamente com leveduras selecionadas com comportamento moderado no trabalho de fermentação.

Vídeo conferência direto da bodega!
É um rosado muito bem feito: é nítido que a Susana buscava e ainda busca sempre o patamar mais alto em qualidade de seus vinhos e isso se refletiu neste exemplar.
O seu único senão é o seu alto valor: segundo o importador, o preço ficará em torno de R$ 185,00 no varejo.
Vale a pena arriscar? Como ponto de referência em rosé feito na Argentina, sem dúvida e o vinho representa o nível que a Susana busca. Restará saber se, na atual crise financeira em que o Brasil passa, o consumidor estará disposto a conhecer desembolsando um valor alto em um vinho rosé, conhecidos pelo lado descontraídos e preços atrativos ao bolso.