DRY MARTINI E NEGRONI
Ismael iglesias

Dois drinques incontestáveis dois clássicos da coquetelaria, duas bebidas fixas: o Noilly Pratt e o Campari italiano.
Os dois drinques sempre fizeram parte da história da coquetelaria, mas somente há alguns anos o Negroni entrou para valer num dos preferidinhos dos brasileiros com direito a fã clubes e tudo.
Por mais que queiram mudar os gins para ambos e os vermouths para os Negronis, não tem como se utilizar outras bebidas senão o Noilly Pratt e o Campari italiano.
Acredito que todos saibam daquela célebre frase do Ernest Hemingway: “Se você estiver perdido em uma floresta, não se preocupe. Encontre uma boa pedra e comece a preparar um Dry Martini, certamente logo irão aparecer várias pessoas para te dizer que a proporção está errada”.

Há muitas histórias sobre a quantidade de vermouth, desde alguém que somente passa a garrafa sobre a taça com gin puro, ou colocar o vermouth sobre o gelo, depois coar, e colocar o gin, borrifar na taça, colocar duas ou três gotas, etc… Até loucuras como alguém que ligou de New York para Paris e pediu para o amigo sussurrar vermouth pelo telefone para a taça! Loucuras a parte…
Antes de mais nada, acredito que devemos conhecer o gin que iremos utilizar. Quando a gente vê as receitas mais antigas, normalmente se indicam o Plymounth, que é um gin menos seco, somente perdendo para os Old Tom que são mais adocicados. Mesmo entre os London Dry gins mais clássicos antigos variavam menos. Atualmente temos uma gama muito grande de gins. Faça um Dry Martini com um London Dry Nº 1 e coloque algumas gotas a mais de Noilly Pratt, ele vai passar sobre gin, ao contrário do que se você fizer com um Ungava terá que colocar muito vermouth. Um beefeather 24 ou um Blackowood, por exemplo, também aceita mais vermouth.
Eu gostaria de fazer uma experiência que gostaria com amigos e já até comentei com o Aldo e o César Adames sobre isso. É fazer uma seleção cuidadosa de alguns gins, algo em torno de uma dúzia e de fixar uma dosagem de gin e o número de gotas, medidos com seringa e conta-gotas. Ao invés de gelo, colocaríamos uns copos shots com a mistura em gelo picado e água, para garantir a homogeneidade das amostras e, assim, confirmar essa minha tese de que um Dry Martini seco depende mais do gin utilizado do que da quantidade de vermouth. É obvio que não se deve encher o coquetel de vermouth…
Quanto ao Negroni, também percebo a variação do drinque, mas isso faz parte da escolha e gosto de cada um, se prefere algo mais adocicado como o Punt & Mês ou menos doce como o Carpano tradicional ou Antica Formula. Bom, nessa área, pois temos uma boa oferta de bons vermouths, que para o nosso deleite, vem crescendo a cada dia.
Outra característica, ambos têm famílias de martinis e negronis…. No caso dos Martinis, há inclusive livros com receitas só de martinis…
No caso dos Negronis, por exemplo temos: Charente White Negroni (gin, cognac, suze e lillet blanc), Negroni Sbagliato (com dois shots de vinho espumante), Cardinale (com vermouth seco), Dutch Count Negroni (com genever no lugar do gin), chegando a uns “inusitados” Thubarb Lucca Negroni, com licor de ruibarbo e Peroni Negroni, com cerveja lager….
Atualmente existem milhares de drinques, que não sei se é possível de fazer algo novo. É possível comprar aqueles livros de “10.000 drinks”, não estou falando em qualidade, mas que existem!. Será que isso não é uma onda de colocar o nome de algo consagrado só para vender mais um coquetel que com outro nome não sairia? Já é tão difícil encontrar um bar ou restaurante que tenha um bartender que saiba preparar um desses coquetéis com maestria, porque se aventurar com essas misturas?
Vocês sabem a diferença entre um Dry Martini e um Gibson? Os dois são oficiais pela IBA (International Bartender Assotiation). As proporções IBA são as mesmas, a diferença é que no Dry Martini a decoração é a azeitona e no Gibson é a cebolinha em conserva. Façam uma dosagem dupla de Dry Martini/Gibson. Coloquem em duas taças coquetel, em uma taça coloquem a azeitona e na outra a cebolinha. Vocês perceberão que a diferença é impressionante!
De qualquer maneira, mantenham uma garrafa de Noilly Pratt na geladeira (para oxidar menos), um garrafa de Campari italiano, e uma seleção de gin e de vermouths de sua preferência, boas azeitonas, limão cascudo e laranja. Ah! e sempre muito gelo bom. Sua vida certamente será muito melhor.